quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Há tempos

Parece cocaína
Mas é só tristeza
Talvez tua cidade
Muitos temores nascem
Do cansaço e da solidão
Descompasso, desperdício
Herdeiros são agora
Das virtudes que perdemos...
Há tempos tive um sonho
Não me lembro, não me lembro...
Tua tristeza é tão exata
E hoje o dia é tão bonito
Já estamos acostumados
A não termos mais nem isso...
Os sonhos vêm e os sonhos vão
E o resto é imperfeito...
Dissestes que se tua voz
Tivesse força igual
À imensa dor que sentes
Teu grito acordaria
Não só a tua casa
Mas a vizinhança inteira...
E há tempos
Nem os santos têm ao certo
A medida da maldade
E há tempos são os jovens
Que adoecem
E há tempos
O encanto está ausente
E há ferrugem nos sorrisos
Só o acaso estende os braços
A quem procura
Abrigo e proteção...
Meu amor!
Disciplina é liberdade
Compaixão é fortaleza
Ter bondade é ter coragem (Ela disse)
Lá em casa tem um poço
Mas a água é muito limpa.

domingo, 8 de agosto de 2010

Seja louco também!


"Aqui estão os loucos. Os desajustados. Os rebeldes. Os encrenqueiros. Os que fogem ao padrão. Aqueles que vêem as coisas de um jeito diferente. Eles não se adaptam às regras, nem respeitam o statusquo. Você pode citá-los ou achá-los desagradáveis, glorificá-los ou desprezá-los. Mas a única coisa que você não pode fazer é ignorá-los. Porque eles mudam as coisas. Eles empurram adiante a raça humana. E enquanto alguns os vêem como loucos, nós os vemos como gênios. Porque as pessoas que são loucas o bastante para pensarem que podem mudar o mundo são as únicas que realmente podem fazê-lo."
(Jack Kerouac)

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Em defesa ao Construtivismo!

Queridos amigos,

Na verdade, Piaget não criou método nenhum. 
Mas a Teoria de Piaget é a mais profunda teoria a respeito da aprendizagem. 

A idéia central é que o conhecimento é construído pelo aluno. O fato do professor “dar aula” não significa que o aluno aprendeu.  
É necessário um processo de construção mental, o que exige uma postura diferente do “professor expositor”. 
É necessária uma escola ativa, dinâmica, onde o aluno é o construtor de seu conhecimento. Isso não significa que ele vá construir sozinho. Pelo contrário, exige-se orientação segura, trabalho de equipe, espírito de cooperação, vivência e bom senso.

O  movimento chamado Construtivismo surgiu baseado na teoria de Piaget, mas essas escolas todas realmente foram construtivistas?

Todos os grandes educadores, a começar de Pestalozzi e continuando com Froebel, Decroly, Freinet, Montessori, intuitivamente, seguiam o mesmo caminho de uma escola ativa, dinâmica, que levava o aluno à construção do conhecimento. Piaget elogiou essas escolas ativas, citando-as como modelo, mas nunca criou um método de ensino.

Pouquíssimas escolas seguiam este caminho, embora se denominassem construtivistas.
O modelo adotado em São Paulo, a “Progressão Continuada” apenas camuflou o fracasso do ensino e a chamada “repetência”. 
O aluno não repete, mas também não aprende.
O modelo, pelo menos o que é praticado, é totalmente contrário à Teoria de Piaget, onde o aluno só constrói novas estruturas mentais alicerçado nas estruturas anteriores, ou seja – para aprender equação do primeiro grau o aluno precisa saber as quatro operações... para a prender equação do segundo grau, precisa aprender a de primeiro grau e assim numa seqüência.  
O aluno, atualmente, salvo exceções, graças a Deus, muda de série automaticamente, e lá vem “matéria nova”... sem que ele tenha assimilado as anteriores.
É fracasso, na certa, mas nada tem a ver com construtivismo. 
Na verdade é exatamente contrário à teoria de Piaget.
- Quanto ao título "Porque a educação no Brasil não funciona"?" ... bem, melhor nem responder... 

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

AINDA HÁ QUEM QUEIRA RESSUSCITAR O CAMINHO SUAVE

Dia de volta as aulas...e para começar bem o novo semestre um pouco mais do mesmo (inevitavelmente!) para refletirmos!
Bom retorno a todos!

RUBEM ALVES - Bobagens obrigatórias
 
A REVISTA "Veja", na edição de 31 de março, publicou um artigo do senhor Marcelo Bortoloti com o título "Ideologia na Cartilha".
 
Desejo retomar o assunto porque, como educador, considero que a tarefa mais importante das escolas é ensinar a pensar, e a ideologia é a negação do pensamento.
 

O que é pensar? Pensar é um processo mental que acontece quando nos defrontamos com um problema que a vida nos propõe e que precisa se resolvido. Pensamos para resolver problemas. Sem o desafio dos problemas, o pensamento ficaria dormindo, inerte.
 
O pensamento, assim, acontece quando um "não saber" nos desafia. Se alguém se julga possuidor da verdade, não pensa.
 
Pensar, pra que?
 

O que é "ideologia"?
 
Ideologia é o oposto do pensamento.
 
Ideologia é um conjunto de crenças tidas como verdade. Julgando-se possuidora da verdade, a ideologia torna desnecessário o trabalho de pensar. Ao invés de pensar, a ideologia repete as fórmulas.
 
A ideologia, assim, tem a mesma função que têm os catecismos nas religiões.
 
Catecismos são livros que contêm afirmações tidas como verdadeiras e que, por isso mesmo, devem ser aprendidas de cor e repetidas.
 

Lembro-me de uma experiência que tive logo que me tornei professor da Unicamp, lá pelo início da década de 70, quando a ideologia da esquerda sabia que "só o materialismo histórico é Deus e Marx, o seu profeta".
 
Eu, sem conhecer direito as regras do jogo acadêmico, pus-me a conversar com um colega sobre ecologia e a crise ambiental -temas provocados pelo Clube de Roma- que eram assuntos proibidos pelo catecismo dominante.
 

Ele ficou em silêncio, mediu-me de alto a baixo e fulminou-me com uma verdade definitiva: "Tudo isso se resolve com a luta de classes..."
Não era necessário pensar, porque a ideologia já tinha a resposta.
 

Como acho que o objetivo da educação é ensinar a pensar e a essa convicção dediquei toda a minha vida, alegro-me por encontrar no senhor Marcelo Bortoloti um aliado de lutas...
 

No seu artigo ele me fez o maior elogio que poderia ser feito a um filósofo. Numa coluna separada, ao lado direito do seu artigo, no lugar dedicado aos "referenciais teóricos", ele citou os filósofos pré-socráticos, Platão, Aristóteles, Epicuro, Agostinho (...) e eu, Rubem Alves!!
 

Elogio maior não poderia me ter sido feito, se não fosse pelo título que ele deu a essa coluna a que me referi: "Bobagens obrigatórias". Os filósofos que ele citou, mais o Rubem Alves, são... "bobagens obrigatórias".
Não satisfeito, ele acrescentou uma última observação ao pé da página, logo após citar o meu nome: "Comentário: Rubem quem?"

Ah! Foi um terrível golpe no meu narcisismo...
 
E eu, que tinha a ilusão de que os livros que eu escrevia estavam ajudando professores e alunos a pensar! Não passavam de ideologia...
 

Obediente ao juízo final do senhor Marcelo Bortoloti só me resta então jogar fora os livros que escrevi...
 

Adeus, meus livros! Adeus, filosofia da ciência... Adeus, a escola com que sempre sonhei... Adeus, por uma educação romântica... Adeus, vamos construir uma casa... Adeus, conversas sobre a educação... Adeus, fomos maus alunos, como o Gilberto Dimenstein... Adeus...
 

Só espero que da próxima vez ele não escreva o "quem" depois de escrever o meu nome...É humilhação de mais...
 
Folha de S. Paulo