domingo, 24 de outubro de 2010

Da ignorância histórica à enganação eleitoral: o método lulista da vitória a qualquer preço

Olá leitores(as)!
Essas ultimas semanas vem sendo bombardeadas por xingamentos e ofensas por todos os lados, em nossa política. Em meio a tudo isso me deparei com este post no Blog Frangmentos (ótimo por sinal, recomendo a leitura!) e não pude deixar de dividir com vocês. Segue a matéria postada.
 
No Portal Exame - Por: Bolívar Lamounier

Para o filósofo alemão Carl Schmidt, verdadeiro líder político  é aquele que sabe dividir o povo em dois campos mutuamente hostis. É o que sabe e não sente pudor algum em  jogar uma parte contra a outra, fomentando  a polarização  e cuidando de tirar dela todo o proveito possível.

Schmidt foi um dos principais ideólogos dos regimes totalitários da primeira metade do século 20. Em 1933, ele se inscreveu formalmente no Partido Nazista. Sua marca inconfundível foi o mencionado conceito de política como uma polarização entre  "amigos" e "inimigos".  

A idéia de que quem não está comigo, está contra mim. Que eu me recorde, o Brasil só veio a conhecer esse fenômeno na era Lula. Anteontem eu recapitulei aqui a estratégia lulista de transformar a eleição presidencial num confronto plebiscitário, governo contra oposição, sem ninguém no meio para "atrapalhar". 

Lula implementou essa estratégia com determinação, alguma  truculência e até certo requinte, por exemplo quando obrigou Ciro Gomes a passar recibo de pateta 

Entre as regiões, Lula forçou outra vez a compactação do Nordeste contra o Sudeste e o Sul. 

Mas o intento de  polarizar a disputa entre dois campos  não se limitou ao  posicionamento dos partidos e das regiões. Estendeu-se  aos planos social e cultural -  ou do imaginário social, como se poderia também dizer.  

Como vinha fazendo desde sempre, Lula não mediu esforços para reforçar a identificação dos setores de menor renda como "povo" ou como "pobres", em contraste com a "elite" e os "ricos". 

E deixou para as últimas semanas da campanha a exibição de seu carro-chefe: ele e Dilma, grandes defensores do patrimônio público, contra a "sanha privatizante"  dos tucanos, imputando-lhes inclusive a intenção de privatizar a Petrobrás e o pré-sal.  

Antes que os petistas se agitem, faço aqui uma pausa para esclarecimentos. Eu não estou dizendo que  Lula é nazista. Não estou vendo Dilma, José Dirceu e tutti quanti  subindo uniformizados  a rua, cada um com sua cruz suástica .  

O que estou dizendo é que Lula e o PT, de modo geral -  em parte por desconhecimento do passado e em parte por má-fé eleitoral – têm sistematicamente recorrido a símbolos e táticas  que Carl Schmidt de bom grado aprovaria.

Contrapor o "povo" e a "elite", por exemplo. Povo e  elite numa vaga representação simbólica, como entidades imaginárias, insucetíveis de definição precisa. Vaga como convém a uma simples marcação de distâncias e ressentimentos, com objetivo apenas eleitoral.

Eu até prefiro esse imaginário aparentemente revolucionário àquele servilismo típico do passado rural, mas a questão aqui é outra. O ponto a ressaltar é a grande mentira embutida nessa suposta "conscientização". 

Marx, Lênin e talvez a maioria dos comunistas, eles sim, levavam a sério a dicotomia "burguesia" x "proletariado". Tinham uma fé inabalável na "luta de classes" como o motor da história.  

Nada a ver com o que está ocorrendo no Brasil. Salvo por uma meia-dúzia de true believers, nem os petistas de carteirinha, nem os políticos do partido, e muito menos Dilma e Lula, acreditam nisso. Aqui se trata de manipulação eleitoral – em larga escala, é verdade -, com o objetivo de manter as rédeas do poder nas mãos do PT e de aliados menos imaginativos, como o PMDB.   

A privatização, como já se notou, é umas das estrelas principais desse lastimável enredo. Lula e seus marqueteiros trabalharam com afinco até vê-la bem encaixada na engrenagem de sua propaganda eleitoral. Nós, os "amigos" defendemos o patrimônio público, a riqueza do Brasil para os brasileiros. Eles, os "inimigos", querem vender tudo, até a Petrobrás e o pré-sal. 

Meu post de ontem versou sobre este mesmo tema, mas com foco na Vale do Rio Doce. Não me limitei a indagar, o que já deveria ser suficiente, por que uma privatização supostamente tão maléfica para o país não foi revertida. Oito anos não foram suficientes para Lula cumprir o que afinal deveria ser o seu dever?

Mostrei como o PT cuidou de abortar no Congresso, em 2007,  um projeto de plebiscito para a eventual retomada e reincorporação da empresa ao Estado. 

Fui um pouco além. Citando abundantemente o relatório, mostrei a distância sideral que separa uma avaliação séria de riscos, como a que o deputado José Guimarães (PT-Ceará) fez em 2007, e a medonha  chantagem eleitoral que o lulismo vem impingindo pela TV ao distinto público.



Comento: Alguém acredita que Dirceu, Dilma, Suplicy são pobres? Quando os políticos do PT são elite não tem problema, mas pessoas comuns que tem dinheiro e não são aliados ao PT são inimigos? Não, são apenas incômodos.

Somos todos brasileiros, faz tempo que percebo várias tentativas de desfragmentar nossa nação. Cabe a nós não aceitarmos estes conceitos, preconceitos, distinção regional ou material.

A beleza de nosso povo está na mistura, nas diversas culturas, no simples fato de sermos brasileiros.

PS.: Nem preciso dizer que concordo, em número, grau e gênero.

Abraços até mais!

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Cultura da vaidade


Entrevista com Yves de La Taille (realizada pelo Instituto ALANA)


Obs.: A matéria é extensa porém é indiscutível a qualidade do conteúdo. Uma leitura que vale apena.


Quais são as características das novas gerações, que foram mais impactadas pelo apelo ao consumo?

Virar o Papai Noel de si próprios. Há demandas de consumos que antigamente eram desejos de objetos que o Papai Noel traria no Natal, os pais no aniversário. As crianças tinham pouco contato com o consumo. Hoje, praticamente desde o berço, existe um mundo de oferta que aparece na TV, nas revistas e no rádio que não existia antes. Essa é uma das diferenças em relação às gerações anteriores. Outra questão que me chama atenção é a grande presença da tecnologia na vida de crianças, e jovens. Celular, iPod, pen drive, computador. São tecnologias complexas e que eles dominam muito bem e até melhor que a maioria dos adultos. 



Que impacto isso tem na formação da identidade dessas pessoas?

Com relação ao uso de tecnologias, diria “vamos ver”. A ciência trabalha com comparações, então quando não há um modelo de comparação, é muito difícil avaliar. Mas é possível refletir sobre o que é esse mundo do consumo. Entre outras coisas, é associar pessoas a marcas. Isso vale para todo o mundo, e para as novas gerações também. A diferença é que, como crianças e adolescentes estão em período de desenvolvimento, o consumo entra como uma das peças importantes na construção de identidade. E hoje o consumo não é pragmático; ele está muito mais ligado à vaidade, a mostrar para os outros que se tem tal ou tal coisa. É o que chamo de Cultura da Vaidade. Nesse mundo de consumo, o consumir não é para usar, mas para ter – e associar o ter a ser feliz.



Você acha que existe uma fragilidade na sociedade atual com relação à ética e à moral?

Acho, sim, que há fragilidade ética. Na sociedade atual, que eu chamo de Cultura da Vaidade, há uma busca de identidade muito superficial, passageira e vazia, que chamo também de Cultura do Tédio. Mas do ponto de vista moral – e aí sim fiz pesquisas com resultados claros –, as pessoas não confiam umas nas outras. O que é não confiar no próximo? É achar que ele não tem senso moral e que bastará ter uma oportunidade que ele vai cometer algum tipo de violência.

Mas não é um paradoxo ter uma fragilidade ética e cobrar moral?


Quando há uma fragilidade do ponto de vista da ética, moral é luxo. Eu nunca vi, mas me disseram que existe uma publicidade em que um filho não quer parar na frente da festa por vergonha do carro do pai. Isso é um sinal muito grave de nossa sociedade. Desprezar o pai por causa de um carro é patente falta de justiça, falta de generosidade, até falta de dignidade.

Na infância, a relação da criança com o coletivo tem sido bastante problemática. A inserção nos grupos tem sido mais difícil?

Eu diria um pouco diferente. Essa vergonha às vezes é inferida pelos próprios pais. Uma criança pequena não tem autonomia, depende muito da família, a identidade dela é a da família, do grupo social. Muitas vezes os pais são os primeiros a terem medo que a criança tenha vergonha, mas no fundo eles mesmos têm medo de ter vergonha. E evidentemente alguns objetos de consumo são aspectos de integração do grupo. Tem escolas que me parecem feiras de vaidade, mas eu diria que essa responsabilidade está mais na família. O que falta à escola é ela ser o antídoto a isso. Os pais são os primeiros a ficarem seduzidos pela tecnologia, e são muito preocupados com a inserção social dos filhos, muitas vezes via consumo. O pior é que não precisariam ter essa preocupação, as crianças são mais fortes do que a gente imagina. Meu filho nunca teve celular e os colegas sempre tiveram e ele está muito bem. Joga futebol, toca violão, tem tantas outras coisas. O problema é restringir. Acho até que meu filho cumpre um papel interessante, todo mundo pergunta para ele se é possível viver sem celular e ele diz que é. Precisamos ter mais diversidade. Essa padronização sim é paradoxal, pois os pais querem ter o filho mais bonito, vencedor, mais forte, e, ao mesmo tempo, padronizado pela roupa, pela tecnologia e pelos carros. 



Por que você diz que essa nova geração sente certo desconforto?

Pelo que as pessoas falam, e pelo que observo em minhas pesquisas. Quando perguntados se vivem uma Cultura da Vaidade, do Tédio, eles concordam. Não estão tranquilamente sentados nesse mundo. Helena Imanishi, Vanessa Passareli e eu fizemos uma pesquisa com jovens na qual encontramos discursos bem articulados, críticos, e um dado interessante, que é triste e feliz ao mesmo tempo. A pesquisa era sobre como os jovens veem os adultos. Os resultados: Os adultos são éticos? Não. Do que eles mais gostam? Dinheiro. Pior defeito? Egoísmo. Conduzem bem a política e a educação? Não. Os únicos que tem algum brilho são os pais, no âmbito privado. O vinculo afetivo é tão forte que é difícil achar defeitos. Mas o adulto, em geral, tem uma imagem negativa. E havia a pergunta “Você quer viver a vida que seus pais vivem?” e a maioria diz não. Dizem que não querem, mas que têm medo de que na prática seja assim. Esses jovens não estão se sentindo confortáveis nesse mundo, porém não veem saída. Provavelmente as pessoas na década de 60, 70, também não se sentiam confortáveis naquele mundo, mas acreditavam numa saída  Infelizmente, logo a abandonaram.

A MTV fez um estudo para traçar um perfil de adolescentes e jovens, espectadores da emissora. A pesquisa mostrou que essa é uma geração extremamente conservadora. Por que há uma visão tão negativa do adulto e, ao mesmo tempo, um perfil conservador?

O conservador não deixa de ser uma reação moral, pois há valores que quer preservar. A questão é que essa nova geração acha que os adultos não têm valores que ela queira conservar também. Nessas pesquisas que fizemos, perguntamos se os entrevistados poderiam me dar um exemplo de adulto público admirável. Tivemos como resultado três dados interessantes, que explicam em parte porque esses jovens são conservadores. O primeiro foi inúmeros nomes diferentes: não existem figuras centrais. Se tivesse feito essa mesma pergunta na década de 60, teríamos Che Guevara, John Lennon ou Elvis. Hoje há uma dispersão. Os jovens de hoje não têm uma vanguarda. O segundo ponto é que a grande maioria das pessoas citadas pelos entrevistados é da mídia. O terceiro ponto é que certamente muitas dessas pessoas são associadas ao consumo, já que a mídia fala muito de consumo. Eles não têm figuras de referência socialmente relevantes. Como ir para frente?

E as figuras de autoridade? Como a criança hoje vê o pai e a mãe? 


Em outra pesquisa, realizada junto a mais de 5000 jovens, havia um item para saber a quem eles atribuíam maior influência nos próprios valores. Os pais ganham de longe, seguidos dos amigos e professores. Os pais são muito influentes, mas não pela via da autoridade e sim pela via da afetividade. A família foi, durante séculos, uma instituição de reprodução social. Hoje a família não é mais uma instituição de reprodução social e sim uma célula afetiva. Por isso a dificuldade em impor limites, já que o limite pressupõe certo distanciamento. Por isso, não são figuras de autoridade. Em compensação, estão cercados de celebridades. Isso também começou com a geração de 60, 70. Jean Paul Sartre enchia auditórios. Foi quando começou a se dar a passagem entre autoridades e celebridades. Sartre foi talvez a primeira figura francesa a trabalhar nos dois níveis, autoridade e celebridade. Hoje, os jovens têm como referência as celebridades, que aparecem em tudo quanto é canto e falam sobre tudo e de nada. 

E qual é o problema em viver no mundo de celebridade e na Cultura da Vaidade?

Isso não traz felicidade. No mundo da vaidade as pessoas se tornam violentas. O vaidoso precisa do reconhecimento do outro, do aplauso do outro. Então a vaidade traz conflito e, como diz a expressão Fogueira da Vaidade, pode levar à violência. Essa cultura do divertimento, do consumo, é uma cultura pequena. Alguns podem questionar: será que as pessoas vivem infelizes? A resposta é sim. Uma das principais queixas das pessoas do ponto de vista psicológico hoje é a depressão. Estamos vivendo um pico de suicídios desde a década de 80 – de três formas de morte violenta e intencional, que são crime, guerra e suicídio, a que mais mata é suicídio. A faixa etária clássica do suicídio é o homem velho, mas hoje também incide entre os jovens. O que a indústria do consumo mais vende é o divertimento. Os maiores salários são das pessoas que trabalham com divertimento, com futebol, música, cinema. Por que um Ronaldo, um Schumacher, uma Madonna e um Roberto Carlos ganham tantos milhões de dólares? É porque tem muitas pessoas que assistem. O mundo do consumo associado ao mundo do entretenimento e essa busca de divertimento constantemente é sinal de tédio O tédio e a vaidade vão juntos. Aí os publicitários dizem não têm nada a ver com isso. Eles têm sim, são co-participes na criação dessa sociedade. São parte integrante. Essa frase “a gente não inventa nada, só referenda”, mesmo se fosse verdade, não é moralmente aceitável.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Meninos e meninas



Enfaze para: Tenho quase certeza que eu não sou daqui!


O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons.
 Martin Luther King